Olá comunidade da Unreal Engine. Sou Julie Gaskin, Evangelista de Desenvolvedores, da equipe ARM Ecosystem. A qualidade visual agora é uma prioridade central para desenvolvedores de jogos em dispositivos móveis. A cada geração, o hardware para dispositivos móveis se torna mais poderoso, reduzindo a distância entre smartphones e plataformas tradicionais de jogos. O poder da GPU continua crescendo, e funcionalidades antes restritas a PCs e consoles, como iluminação complexa e efeitos de alta-fidelidade, estão se tornando cada vez mais comuns em títulos para dispositivos móveis.
Mesmo com esses avanços, os dispositivos móveis ainda enfrentam limitações significativas. Eles funcionam com bateria, estão sujeitos ao superaquecimento e renderizam em telas de alta resolução com densidade extrema de pixels. Isso faz com que cada pixel e cada otimização façam diferença.
Os jogos modernos para dispositivos móveis estão levando esses limites ao extremo, com iluminação complexa, efeitos de pós-processamento, mundos dinâmicos e até recursos iniciais de traçado de raios. No entanto, renderizar em telas densas com altas taxas de quadros tem um custo elevado. Isso consome muita energia, sobrecarrega a GPU e drena a bateria rapidamente, especialmente ao buscar o nível de refinamento visual que os jogadores passaram a esperar.
Como o Fortnite usa a Arm ASR para avançar ainda mais os jogos para dispositivos móveis
Quando se lança um jogo tão ambicioso visualmente e exigente em desempenho quanto o Fortnite, é preciso buscar formas de extrair cada gota de potência do hardware de dispositivos móveis.
Os dispositivos móveis estão sob pressão constante tanto da CPU quanto da GPU, especialmente ao buscar uma jogabilidade consistente a 60Hz. A Arm ASR é uma forma de reduzir a pressão sobre a GPU, preservando, e em alguns casos até melhorando, a qualidade visual entregue aos jogadores.
Mas o que realmente torna a Arm ASR poderosa é permitir que a equipe reabilite funcionalidades que antes precisavam ser desabilitadas em dispositivos móveis para manter limites térmicos e de desempenho. Funcionalidades como oclusão de ambiente, cascatas adicionais de sombras e aprimoramentos de pós-processamento voltam a ser viáveis, mesmo durante sessões prolongadas de jogo.
Integração suave, com impacto real
A Arm ASR estava praticamente pronta para uso quando a equipe do Fortnite iniciou a integração. Foi necessário realizar apenas alguns ajustes do lado do renderizador, especialmente na forma como o pipeline de dispositivos móveis lidava com entradas de cena (uma mudança que foi incorporada posteriormente à Unreal Engine). Um dos primeiros desafios enfrentados foi o ghosting, especialmente em cenas com muito movimento ou com transparência envolvida, como folhagem, efeito de partículas ou reflexos de armas.
Para lidar com isso, a equipe habilitou a máscara reativa, uma funcionalidade que identifica dinamicamente os pixels com maior probabilidade de apresentar artefatos temporais. Essa funcionalidade foi integrada diretamente à API do renderizador para dispositivos móveis, permitindo que a máscara fosse atualizada em tempo real conforme as mudanças da cena. O resultado? O ghosting foi minimizado e a estabilidade da imagem melhorou significativamente. As alterações feitas no lado da engine para oferecer suporte a isso já estão disponíveis na versão mais recente da Unreal Engine.
Projetada para proteger o desempenho ao longo do tempo
Inicialmente, o principal objetivo do Fortnite com a Arm ASR era a otimização térmica e energética, algo especialmente importante em dispositivos de alto desempenho que visam 60Hz. Com a Arm ASR ativada, houve reduções imediatas no tempo de uso da GPU, o que se traduziu diretamente em temperaturas de superfície mais baixas, menor limitação térmica e sessões de jogo mais longas.
Mas não se trata apenas de economizar energia. Trata-se de preservar o desempenho ao longo de sessões prolongadas. Menos picos térmicos resultam em taxas de quadros mais consistentes, jogabilidade mais suave e jogadores mais satisfeitos.
Uma solução, todas as plataformas: a Arm ASR é totalmente agnóstica
A Arm ASR é independente de plataforma e neutra em relação a fornecedores. Ela funciona em qualquer GPU e é compatível com as principais APIs gráficas, incluindo Vulkan, OpenGL ES e DirectX 11 e 12.
Por ser totalmente baseada em shaders, a ASR se integra facilmente a qualquer pipeline, seja para Android, iOS ou implantações multiplataforma.